16.10.04

Nápoles em retrospectiva - I

9 de Outubro. O reencontro anunciado, na estação Central em Nápoles. Ontem despedia-me da cidade berço, a magnífica Guimarães com um centro histórico deslumbrante, hoje conhecia o movimento febril napolitano resgatando ao passado de adiamentos, uma viagem há muito projectada e obrigatória por motivos vários. Num de repente vi-me mergulhado no turbilhão do trânsito caótico das ruas, onde vale quase tudo, mas em que todas as partes interessadas conseguem encontrar um ponto de equilíbrio no movimento desordenado. Nas primeiras horas, vertiginosas como a cidade, percorri séculos de história e de histórias: o café tomado na esplanada do pequeno jardim e a vista soberba sobre a parte da cidade à beira-mar e sobre o Golfo de Nápoles, a partir do Quartieri Posillipo erguido numa das suas colinas, a passagem pelo Quartieri Vomero, bairro elegante e com sofisticação europeia, a ida ao lago d'Averno (a entrada do Inferno de que fala Virgílio na Eneida), a gruta da Sibila Cumana (um dos mais famosos oráculos), à noite uma ida à cidade de Pozzuoli (primeiro porto do Império Romano), ver as colunas e a estrutura parcial do Templo de Serápide, e muito mais que os olhos absorveram. Mas há um recorte na paisagem, incontornável, omnipresente: o Vesúvio. Por si só e pelo lugar que ocupa na memória e no dia-a-dia, ainda que de forma subtil ou pressentida, na espiral de rodopio da sua vivência destas gentes, merecerá outra distinção retrospectiva.

Pozzuoli - Templo de Serápide
(foto extraída de http://www.ulixes.it/italiano/)

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