16.10.04

Começando pelo fim

As férias gozadas descrevem-se sincrónica ou diacronicamente? Hesito. Na dúvida utilizo uma expressão menos difícil: começando pelo fim. O último dia. Um dos mais marcantes de nove passados em Nápoles. A razão não é única. São dois os momentos que registei, em emoções. Um, na descoberta da imagem de mármore que transmite humanidade. E sofrimento, dor, expiação (?), mas também serenidade e uma beleza rara. A transparência do opaco, num acto de criação de realidade até para quem fé não significa dogma mas convicção nos homens, na sua generosidade e vontade em mudar o mundo. Falo do "Cristo Velato", escultura barroca do séc. XVIII, da autoria de Sanmartino Giuseppe. O local, Cappella Sansevero. O outro momento, talvez duas horas depois, com uma despedida. Quase sem palavras mas bem fraterna, com um abraço forte. Foi na Stazione Centrale, em Nápoles. Podia ter sido em Coimbra-B, há trinta anos atrás. Será daqui a trinta anos numa qualquer estação do mundo. Um até já pois a vida ainda tem tanto para nos dar e nós tanto para dar à vida... As férias não teriam valido sem este último dia. Grazie!

Cristo Velato

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Il Cristo Velato

(A Sanmartino)

Tendido allì, adormecido allì
Su cuerpo blanco ofrecido allì
Sin dolor a pesar de las heridas...
La eternidad se arrodilla frente a él
Silencio

Pude una vez acariciarle emocionada
Y su piel frì acaricio mi alma
Cò descibir la vida que me ha dado
El que se ofrece generoso
Ante la aparencia del marmol
La visiòn es enganosa, la realidad es enganosa

Quisiera levantar el velo que le cubre
Besar sus manos calladas
Su frente, su boca
Sus brazos abandonadas
Con la ternura inmensa
Que inspira su belleza
 
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